O antigo ciclista espanhol Alberto Contador passou pelo programa “La Montonera” do Eurosport Espanha onde comentou a atualidade que marca o desporto e outros temas interessantes.

Conselhos para os ciclistas que voltam a poder treinar na rua

“Nos próximos tempos todos teremos de cumprir rigorosamente a regras. Teremos de ter cuidado com os aglomerados de pessoas em certas zonas ou com as fontes de água que podem ser um foco de vírus. Tenho a certeza de que as pessoas serão responsáveis.”

Sobre as opções de Chris Froome para vencer a Volta a França

“Os grandes campeões destacam-se nos momentos difíceis e o Froome é um desses campeões. Acredito que tem condições para vencer o seu 5.º título e, quem sabe no futuro, até um 6.º. Não sei se ciclistas como Egan Bernal podem renunciar à Volta a França durante dois anos em benefício de Froome. O Bernal é um dos melhores ciclistas do mundo, é muito competitivo, e procura sempre o melhor.”

Sobre as palavras de Eddy Merckx acerca de Mathieu van der Poel e uma vitória numa Grande Volta

“O Mathieu van der Poel é absolutamente capaz de tudo. É um desportista incrível que compete em três disciplinas diferentes. Outros ciclistas mudaram de rumo durante as suas carreiras profissionais como foram os casos do [Geraint] Thomas ou do [Bradley] Wiggins. Ele tem um grande futuro pela frente.”

Sobre a grande rivalidade desportiva entre Nibali e Contador

“Temos um respeito mútuo. O [Vincenzo] Nibali é um ciclista extraordinário. É dos poucos ciclistas que mantém o instinto e as melhores qualidades a nível tático. Sempre acreditei que era um ciclista muito corajoso e tivemos muitos duelos em grandes corridas. A admiração que existe é recíproca e ele foi um dos grandes rivais da minha carreira profissional.”

Alberto Contador leiloa bicicleta das voltas a Itália e França em 2011A vitória épica em Verbier durante a Volta a França 2009

“Todos recordamos aquela edição da Volta a França que foi algo polémica para além da própria chegada do [Lance] Armstrong à equipa com a ambição de ganhar a corrida. Havia muita tensão naquele ano e algo diferente de outras edições porque os dois queríamos ganhar a corrida e éramos companheiros de equipa.

Com a etapa de Verbier dei um golpe de autoridade importante no desenvolvimento da corrida porque permitiu distanciar-me dos outros rivais. Sabia que ninguém podia tirar-me a liderança a não ser que tivesse um dia muito mau ou acontecesse uma situação estranha. A subida ao Verbier…fiz um reconhecimento com a equipa, treinador e mecânicos incluídos, e pensava que não ia ser muito difícil de cumprir a etapa. Achava que seria simples.

A etapa acabou por ser muito rápida e com muitos rivais de peso a rolar a um grande ritmo. As percentagens do Verbier não são muito elevadas, mas é muito constante e com um asfalto em condições perfeitas. A equipa Saxobank começou forte e com o [Fabian] Cancellara a liderar, mas 2,5 quilómetros depois restavam apenas o [Bradley] Wiggins, os [irmãos] Schleck, o [Lance] Armstrong e eu. Nesse momento ataquei e fugi sozinho. Nessas imagens parece que estava cheio de força, mas na verdade estava arrasado nos últimos quilómetros antes da meta.

Ganhar a etapa de Verbier foi uma libertação. O vencedor da Volta a França não estava ainda decidido, mas soube que aquele era uma momento chave e decisivo.”