Viagens de bicicleta. A pedalar se vai ao longe e com menos dinheiro

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Há quem vá do Porto a Lagos, há quem se fique por Odeceixe, há quem percorra cem cidades de Portugal e há quem chegue a Macau. Clara Silva falou com viajantes de duas rodas.

Tanya Ruivo e Rafael Polónia saíram de Ovar a 26 de Setembro de 2010 com o objectivo de chegar a Macau de uma forma diferente: a pedalar. Sete meses antes, o casal já tinha ido a Istambul de bicicleta sem nenhuma preparação especial. Para esta viagem também não foram precisos meses a fio em aulas de RPM num ginásio. “Costumávamos brincar com quem nos ouvia falar desta viagem dizendo que ninguém treina para ir a Fátima a pé”, escrevem num mail que enviam do Vietname. Pelo caminho já passaram por países como a Síria, a Turquia, o Irão, o Quirguistão e o Laos. “O Turquemenistão foi o mais difícil, pelo imenso calor, a falta de sombra, de água e comida e pelo facto de termos de o atravessar em cinco dias com 48 graus”, recordam. O objectivo é estarem em Macau no dia 6 de Maio, até porque têm voo de regresso a Portugal no dia 13. O casal vai pondo notícias das viagens num blogue (www.2numundo.com) e dá algumas dicas a quem pensa viajar desta forma. Para eles, de bicicleta “vai-se longe e com menos dinheiro”. Além disso, “não há janelas que nos dividam do mundo, levamos com o vento, a chuva, o sol, a poeira…”, dizem. “Não contribuímos para a guerra do petróleo.”
 
O mesmo pensou Augusto Lemos, de 61 anos. O professor e a mulher, Maria da Conceição, de 56 anos, fizeram em 2009 uma viagem que os levou de bicicleta do Porto a Lagos, 663 km divididos por 13 etapas. “Já viajei pela Holanda, fui de Amesterdão a Bruges, e fiz também o famoso Danube Bike Path, que é uma ciclovia que acompanha o rio Danúbio.” Mas não pense que Augusto é um atleta. “Só comprei a minha primeira bicicleta no dia em que fiz 40 anos”, confessa. De resto, costuma fazer todos os dias pequenas deslocações entre casa e o trabalho, tal como a mulher. Isso não os impediu de chegarem ao Algarve numa aventura que durou 12 dias e que pode ser lida em debicicletaapedal.blogspot.com.

Laura Alves, jornalista freelancer de 34 anos, também não precisou de preparação física para se lançar à estrada, de Lisboa a Odeceixe, na Costa Vicentina. “Era uma ideia que já tinha há algum tempo na cabeça, apesar de não ser uma pessoa muito desportiva”, conta. Juntou-se a dois amigos e foi à aventura durante cinco dias em Junho do ano passado. “Acordávamos e começávamos a pedalar às 10h/11h. Combinámos que não se pedalava entre as 13h30 e as 16h30, à hora de muito calor”, diz. No caminho faziam paragens para ir à praia e tirar fotografias. “Planeámos as coisas mas não de maneira muito exagerada, de maneira a saber onde havia parques de campismo.”

Paulo Guerra dos Santos, de 39 anos, planeou bem a viagem que fez de bicicleta por Portugal em 2010. Foram 4520 km em quatro meses, e em cada dia visitou uma cidade diferente. As suas aventuras estão num blogue (100diasdebicicletaemportugal.blogspot.pt) que foi acompanhado por tanta gente que Paulo só teve de ficar numa pensão durante dois dias. “Telefonaram-me várias pessoas a oferecer sítio para tomar banho, jantar e dormida”, recorda o engenheiro de estradas. “E também fiquei em quartéis de bombeiros.”

Em 2008, para a sua tese de mestrado (“Contribuição do modo BICI para a gestão da mobilidade urbana”), decidiu andar de bicicleta em Lisboa durante 100 dias. “Percebi que dois terços da cidade são planos e comecei a usar a bicicleta.”

Hoje em dia está envolvido em vários projectos, como o site ecovias.pt.vu, que reúne várias sugestões de percursos por Portugal. Lisboa – Badajoz é um dos que já estão concluídos, com 330 km. “Em Junho, para o promover, vou desafiar uma figura pública que só tem bicicleta há pouco tempo a fazê-lo.”

Entretanto já faz planos para 2015: “100 dias de bicicleta pela Europa, entre Lisboa e Helsínquia.”

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