O holandês Fabio Jakobsen (Deceuninck-Quick Step) impôs-se hoje ao ‘sprint’ na etapa inaugural da Volta ao Algarve, na chegada a Lagos, após o ‘caos’ lançado numa queda no pelotão a sete quilómetros da meta.

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A fazer a primeira corrida em 2019, o holandês de apenas 22 anos impôs-se ao francês Arnaud Démare (Groupama-FDJ), segundo, e ao alemão Pascal Ackermann (BORA-hansgrohe), terceiro, ambos favoritos apontados à partida.

A disputa aguardada entre velocistas foi afetada por uma queda a sete quilómetros da chegada, com dezenas de ciclistas envolvidos, e acabou por retirar da discussão o alemão John Degenkolb (Trek-Segafredo) e o holandês Dylan Groenewegen (Jumbo-Visma), este último vencedor de duas etapas na ‘Algarvia’ em 2018.

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Já depois de subir ao pódio, Jakobsen mostrou-se “muito feliz” pela vitória e pelas boas indicações dadas pela equipa.

“Estamos em boa forma, estagiámos no Algarve este ano e conhecemos esta região. Estamos motivados para correr bem e no sábado quero voltar a ganhar”, atirou.

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O ‘caos’ instalado a caminho da meta deixou mazelas em vários ciclistas, com dezenas de corredores envolvidos, sendo que para nomes como o italiano Fabio Aru (UAE Team Emirates) e o esloveno Simon Spilak (Katusha-Alpecin), a 1.05 minutos, o português Amaro Antunes (CCC Team), a 1.35, ou o austríaco Patrick Konrad (BORA-hansgrohe), a 4.11, a hipótese de lutar pela geral fica comprometida.

Por outro lado, o holandês Wout Poels (Sky) fechou em 11.º lugar, com o mesmo tempo do vencedor, e reforçou o favoritismo à vitória final, assim como o espanhol Enric Mas (Deceuninck-Quick Step), 15.º.

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Depois do arranque em Portimão, que não recebia uma partida desde 2012, a primeira fuga da 45.ª edição foi totalmente lusa: Pedro Paulinho (Efapel), David Ribeiro e Martin Scheulen (LA Alumínios-LA Sport), José Mendes (Sporting-Tavira) e Rafael Lourenço (UD Oliveirense/InOutBuild) foram os primeiros ‘aventureiros’.

A tentativa rendeu cinco pontos de montanha a David Ribeiro e Pedro Paulinho, com o primeiro a assumir a camisola azul por ter vencido a subida de terceira categoria, na Nave, com a fuga sempre controlada pelo pelotão.

Mais tarde, um duo da Efapel, o espanhol Antonio Angulo e o português Sérgio Paulinho, também tentaram a sua sorte, mas foram apanhados pelo pelotão a 23 quilómetros da meta, começando as equipas dos velocistas a preparar a chegada.

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No final, a queda ‘cobrou’ ao pelotão a primeira desistência, com o irlandês Edward Dunbar (Sky) a reduzir para 167 o contingente em prova, ainda que outros atletas tenham sido levados para o hospital após o final da tirada.

Na quinta-feira, a segunda etapa liga Almodôvar à Foia, na primeira seleção de candidatos da prova, com uma chegada no ponto mais alto do Algarve (900 m) na serra de Monchique.

Ao todo, são 187,4 quilómetros, com 3.600 metros de subida acumulada, terminando numa contagem de montanha de primeira categoria que, em 2018, foi arrebatada pelo eventual vencedor final, o polaco Michal Kwiatkowski (Sky).

Declarações após a primeira etapa da Volta ao Algarve em bicicleta, que ligou Portimão a Lagos, na distância de 199,1 quilómetros:

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Fabio Jakobsen (vencedor da etapa e líder da geral): “É fantástico ganhar, logo na primeira corrida. Depois de todo o treino no inverno nunca se sabe, mas, se ganhei aqui, é porque fiz um bom trabalho e a equipa está bem. Estamos muito felizes.

Foi uma queda muito grande, a sete quilómetros da meta. Só a ouvi acontecer, à esquerda, e espero que todos estejam bem, para começarem outra vez, porque a velocidade era muito alta.

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A equipa está em boa forma, estagiámos no Algarve e conhecemos a região, estamos motivados para correr bem e no sábado quero voltar a ganhar.

A última subida pequena, com o ritmo muito alto, foi complicado. Colocaram-me numa posição perfeita e pude lançar o ‘sprint’ numa boa altura”.

Daniel Freitas (30.º na etapa, melhor português): “Era uma chegada que sabíamos que ia ser bastante rápida, e a queda não ajudou nada. Tive de fazer um esforço extra e depois, no ‘sprint’, já não conseguia fazer muito mais.

Para ser sincero, estava à espera de estar nos 10, 15 melhores. Eu e a equipa tínhamos isso em mente, mas vamos agora tentar lutar nas próximas”.

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David Ribeiro (líder da classificação de montanha): “É um sentimento magnífico estar no pódio com os melhores do mundo. Nem queria acreditar.

Vou tentar defender a camisola amanhã [quinta-feira, na segunda etapa]. É uma tarefa muito, muito complicada, para não dizer impossível, mas tudo pode acontecer.

Hoje é um dia magnífico e vamos desfrutá-lo ao máximo. Este era um dia mais acessível para entrar na fuga, e os meus colegas de treino devem agora estar a dar-me razão, porque realmente consegui fazer o que já tinha dito há uns meses”.

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