A Kelly-Simoldes-UDO parte para a edição especial da Volta a Portugal em bicicleta com “ambição sem pressão”, mas com a expectativa de ver Henrique Casimiro no ‘top 10’ ou até nos cinco mais, assumiu Manuel Correia.

O diretor desportivo acredita que da sua equipa se pode esperar “empenho e ambição sem pressão”.

“Acho que não nos cabe a nós ter essa pressão, mas vamos com a ambição de fazer algo positivo, como temos feito ao longo da época nas poucas vezes que fomos chamados a competir. Este ano, com mais alguma responsabilidade, com o Luís e com o Henrique. O Luís ainda no fim de semana passado esteve perto de ganhar o [Troféu] Joaquim Agostinho e só não ganhou por algum infortúnio. E depois temos aqueles jovens com talento, como o Fábio, o Pedro Miguel, que a qualquer momento podem fazer algo de muito engraçado”, enumerou.

Manuel Correia ressalvou, contudo, que “são nove etapas, duas delas em ‘crono’ e não vai dar para todos” ganharem, mas prometeu que a Kelly-Simoldes-UDO será “uma equipa interventiva, irreverente”, expectante para ver se Henrique Casimiro consegue estar ao nível que o levou, nomeadamente, a terminar entre os 10 mais da principal prova nacional nas últimas quatro edições.

“Vamos ver com o passar dos dias como é que o Henrique reage e todos nós, mas penso que se tivermos o melhor Henrique a que estamos habituados, podemos ter o Henrique no ‘top 5’. A partir daí para cima, acho que já estou a ser ambicioso demais, no entanto, se conseguirmos colocar o Henrique no ‘top 10’ será ótimo”, admitiu.

Outro ciclista a ter em conta, segundo o seu diretor desportivo, é Luís Gomes, que no passado fim de semana foi segundo no Troféu Joaquim Agostinho. “Se fomos buscar o Luís é porque o conhecemos, sabemos de toda a sua capacidade e todo o seu potencial. Esperamos uma grande Volta do Luís, se calhar noutro nível, noutras circunstâncias, e outros objetivos que não a geral, mas isso o desenrolar das duas primeiras etapas ditá-lo-á”, pontuou.

Questionado sobre o percurso, que concentra três chegadas em alto nas quatro primeiras etapas em linha, Manuel Correia começou por enaltecer “a Federação e todos os envolvidos por terem feito os possíveis e os impossíveis para que a Volta viesse para a estrada nestas condições, o que é muito difícil”.

“Nós também estamos a sofrer na pele, até pelas condições financeiras que nos são apresentadas. Mas é bom que a tenhamos, porque se não poderia estar em risco, se calhar, futuras edições da Volta e [o futuro da] maior parte das equipas profissionais. Mas, quanto ao percurso, vou ser um bocadinho crítico: acho que as dificuldades estão todas nos primeiros dias, e logo aí pode ficar sentenciada a Volta a Portugal, o que poderá retirar a espetacularidade que teríamos se tivéssemos uma etapa ou duas de montanha ou as mais duras, como tem sido habitual, na parte final”, analisou.

Salientando ser esta “uma critica construtiva e não depreciativa”, o diretor da Kelly-Simoldes-UDO disse que, na sua perspetiva, o percurso da prova “está mal delineado”, pelo que o público pode perder o interesse na corrida que arranca no domingo, em Fafe, e termina em 05 de outubro, em Lisboa.

“Estamos aqui a falar mas também depende depois da Serra da Estrela de como fica a classificação. Se as coisas ficarem ali presas por segundos, penso que o interesse continuará de pé, o que eu duvido”, previu, antecipando que “nunca vamos poder comparar esta Volta com as que se realizam em agosto em termos de público”.

Kelly-Simoldes-UDO

Equipa: Henrique Casimiro (Por), Luís Gomes (Por), Venceslau Fernandes (Por), Rafael Lourenço (Por), Pedro Miguel Lopes (Por), Fábio Costa (Por) e José Sousa (Por).

Diretor Desportivo: Manuel Correia.