Superação é a palavra que define a prestação da equipa Vito-Feirense-Pnb na 81ª Volta a Portugal Santander.

© Helena Dias

Ao longo de 11 jornadas e 1531,3 quilómetros, sob o comando de Joaquim Andrade, os sete ‘fogaceiros’ fizeram frente às constantes adversidades surgidas na prova rainha do calendário luso, chegando ao final da Volta com o sentimento de dever cumprido e com a equipa completa a terminar a edição de 2019 na nona posição, entre as 19 esquadras presentes.

Embora os resultados no papel não façam jus ao trabalho realizado dia-a-dia na estrada, destacam-se: João Matias 5º na chegada à Guarda e 9º no prólogo em Viseu; Filipe Cardoso 5º em Bragança e 10º no alto do Larouco; Jesus del Pino 17º no alto da Torre e de Santa Quitéria e 29º na Sra. da Graça, após uma duríssima queda que assolou o ‘Cavaleiro de Segurilla’ aos primeiros quilómetros da jornada.

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Nas contas finais da Volta a Portugal, Jesus del Pino fechou em 21º da geral, Filipe Cardoso em 28º, João Barbosa em 60º, Björn Thurau em 64º, João Matias em 76º, Oscar Pelegrí em 85º e Raúl Rico em 99º lugar. Na classificação da juventude, Barbosa foi 6º e Rico 11º, entre os 12 corredores sub-23 a terminarem a 81ª edição.

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Declarações do director desportivo e dos corredores Vito-Feirense-Pnb:

Joaquim Andrade, director desportivo:

“O balanço desta Volta tem um sabor amargo, porque praticamente nada correu como esperávamos. Os percalços começaram a surgir desde a primeira etapa em linha e foi uma sucessão de maus momentos, de situações que sucederam em momentos cruciais da corrida e que impediram os nossos corredores de mostrar o seu real valor. No fundo, o maior ponto positivo foi a atitude dos corredores, que foram sempre superando as dificuldades que iam surgindo e com o ponto máximo no Jesus del Pino, que sofreu uma queda impressionante, já depois de ter tido uma sequência de azares desde a chegada à Torre. Naquele dia da Sra. da Graça, viu tudo ir por água abaixo, ficou descolado do pelotão e teve a ajuda dos colegas, principalmente do João Barbosa e do Oscar Pelegrí, que o ajudaram e socorreram naquele momento difícil. Ele manteve-se em corrida, continuou, apesar do grande sofrimento que passou. Para mim, aquilo foi uma vitória. E para o presidente da equipa, o Sr. Rodrigo Nunes, também foi como uma vitória vê-lo chegar ao fim, ver a entrega e o empenho dele em defender as nossas cores e dos nossos patrocinadores. Foi talvez o ponto mais alto da corrida, embora tenha sido um ponto de sofrimento e de tristeza.”

“Apesar de todos os contratempos, todos terminaram a Volta. Tivemos dois corredores sub-23 em prova, que se revelaram com excelentes resultados. O Raúl Rico foi melhorando dia após dia, o João Barbosa veio complementar o resto da sua época, que tinha sido excelente, e veio também com espírito de entrega, sacrificando a possibilidade de fazer um bom lugar na geral, e de poder lutar pela camisola da juventude, para se entregar ao trabalho de equipa e ser o anjo da guarda do Jesus del Pino nos momentos mais difíceis que ele passou. Estamos todos solidários com o Del Pino, pois sabemos que a força que ele foi buscar naquele dia, para poder continuar em prova, foi por saber o que os colegas tinham feito por ele.”

Jesus del Pino:

“A Volta começou bem, com muita expectativa. Tinha feito um bom Troféu Joaquim Agostinho, um segundo lugar na Clássica de Ordizia e pensava que era possível um Top 10 ou Top 5, mas desde o primeiro final em alto, na Torre, um furo sentenciou a corrida. Desde aí, foi sempre acontecendo algo, cada dia pior e terminou com a queda do dia da Sra. da Graça. No final, foi aguentar como podia para terminar e no crono era partir, chegar e já está, sem preocupações e sem correr riscos. Agora sinto-me bem, à parte dos ferimentos. Faz parte das corridas e há que aguentar e seguir em frente. Só tenho a agradecer ao corpo técnico a confiança em mim e agradecer aos companheiros de equipa por toda a ajuda. E sinto não ter podido fazer mais na corrida.”

Filipe Cardoso:

“A classificação geral ficou hipotecada a partir do momento em que o Del Pino começou a ter azares, era o nosso ciclista que podia passar a alta montanha com os da frente e ambicionar um Top 10. O meu objectivo era ganhar etapas e estive na discussão pela etapa do Larouco e de Bragança. Ainda tive uma terceira tentativa na chegada a Felgueiras, que acabou por não dar em nada. Ganhar só ganha um, mas estivemos na luta por etapas e, tendo em conta a dimensão desta equipa actualmente, penso que honrámos os patrocinadores, estivemos visíveis e lutámos por etapas. A lamentar temos apenas os azares que nos aconteceram, sobretudo as quedas, estando quase meia equipa envolvida. No meu caso, tive uma queda logo no segundo dia, que acabou por prejudicar-me nos dois a três dias seguintes. O Del Pino nem se fala, ficou completamente magoado e, nos dois dias que poderia ter uma palavra a dizer, acabou por lhe correr tudo mal. O ciclismo é assim, é feito de sorte e de azar. Tivemos azar em alguns momentos cruciais, mas não fomos só nós, às outras equipas também aconteceu-lhes o mesmo.”

João Barbosa:

“Pessoalmente, foi fenomenal viver esta minha primeira Volta a Portugal. Foi uma pena os azares todos que tivemos, mas no fundo acaba por ser uma experiência única, porque foi a primeira Volta e está concluída após muito sofrimento no dia da Sra. da Graça e em todos os dias, que foram duríssimos. Penso que a primeira parte da Volta foi muito boa e depois foi a decair a forma, porque não soube gerir muito bem as forças e são erros a corrigir para o próximo ano.”

Björn Thurau:

“Foi uma boa e dura Volta, com altos e baixos especialmente para o Del Pino, o nosso líder para a classificação geral. A etapa da Sra. da Graça foi um dia triste para a equipa, mas no final conseguimos terminar todos a Volta e podemos ir felizes para casa.”

João Matias:

“Em termos de resultados, esta Volta a Portugal não foi aquilo que, tanto eu como a equipa, esperávamos. Somos ambiciosos e queríamos mais, mas naqueles momentos decisivos parece que tivemos sempre algum azar e as coisas acabaram por não sair como pretendido. Não baixámos a cabeça e tivemos etapas em que atacámos e estivemos nas fugas que disputaram as chegadas e, quanto a mim, o quinto lugar da Guarda deixou-me feliz por poder estar na frente numa chegada que não se adequava muito às minhas características. Também o nono lugar no prólogo e os valores que fiz deixam-me com a sensação de que estive bem.”

Oscar Pelegrí:

“Nesta Volta senti-me bem fisicamente, mas com alguns problemas. Não tive as melhores sensações no primeiro dia e no dia após o descanso, mas o corpo mudou nos dias seguintes e senti-me melhor a cada dia. Contudo, as sensações dos acontecimentos da equipa ao longo da corrida foram um pouco frustrantes, por assim dizer, porque em muitos dias aconteceu-nos sempre algo que nos impediu de estar na luta pela vitória. E em algumas etapas que íamos em fuga, que tínhamos gente na frente, nos outros dias já nos custava ter. Por isso, estou um pouco decepcionado com o que foi a Volta como rendimento. Não conseguimos o objectivo que tínhamos, mas perante estas coisas não se pode fazer nada.”

Raúl Rico:

“Esta foi uma experiência muito boa, muito bonita. O ano passado estava a ver o meu amigo Raúl [Alarcón] na estrada e este ano vivê-lo desde dentro foi uma experiência muito boa, termino contente. Nas primeiras etapas ajudei a equipa no que podia, na segunda parte e na etapa da Torre senti-me um pouco pior, pela dor nas costelas, tive algum desconforto quase até ao final da Volta. Nas últimas etapas voltei a sentir-me melhor e penso que é um bom trabalho para o futuro.”

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Classificação Geral Final:
1º João Rodrigues (W52-FC Porto) 40h57m04s
2º Joni Brandão (Efapel) a 27s
3º Gustavo Veloso (W52-FC Porto) a 1m08s

21º Jesus del Pino (Vito-Feirense-Pnb) a 19m33s
28º Filipe Cardoso (Vito-Feirense-Pnb) a 35m00s
60º João Barbosa (Vito-Feirense-Pnb) a 1h21m45s
64º Björn Thurau (Vito-Feirense-Pnb) a 1h26m58s
76º João Matias (Vito-Feirense-Pnb) a 1h48m08s
85º Oscar Pelegrí (Vito-Feirense-Pnb) a 2h07m47s
99º Raúl Rico (Vito-Feirense-Pnb) a 2h57m32s

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Geral Equipas:
1ª W52-FC Porto
9ª Vito-Feirense-Pnb

Geral Juventude:
1º Emanuel Duarte (LA Alumínios-LA Sport)
6º João Barbosa (Vito-Feirense-Pnb)
11º Raúl Rico (Vito-Feirense-Pnb)

Geral Pontos:
1º Daniel Mestre (W52-FC Porto) 91
15º Filipe Cardoso (Vito-Feirense-Pnb) 28
36º João Matias (Vito-Feirense-Pnb) 11

Geral Montanha:
1º Luís Gomes (Rádio Popular-Boavista) 107
35º Filipe Cardoso (Vito-Feirense-Pnb) 5
40º João Matias (Vito-Feirense-Pnb) 4
46º João Barbosa (Vito-Feirense-Pnb) 2
53º Raúl Rico (Vito-Feirense-Pnb) 1

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Geral Combinado:
1º João Rodrigues (W52-FC Porto) 12
18º Filipe Cardoso (Vito-Feirense-Pnb) 77
41º João Matias (Vito-Feirense-Pnb) 152

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