Roda 27,5 no meio é que está a virtude?

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A primeira vitória na taça do mundo de XCO deste ano pareceu agitar todo o mundo velocipédico, ou pelo menos uma boa parte dele, e tudo porque Nino Schurter da Scott-Swisspower venceu com uma bicicleta equipada com rodas 650b. Tudo bem que ele até podia ter vencido com rodas de 29 polegadas ou até numa “velhinha” 26, mas não, ganhou numa 27,5, e logo as redes sociais e a internet em geral começaram a fervilhar. Toda a gente a começar a pensar nas conversões, a perguntar se já estão à venda, se há ou se não há material, mas afinal de onde vem tudo isto?…
Não foi a Scott a inventar as rodas com o tamanho 650b ou 584mm se preferirem, mas de facto foi a Scott a primeira a vencer no mais importante palco com este standard, até porque nos estados unidos já existem registos de vitórias desta “espécie” de rodas à algum tempo, e de facto é de lá que tem soprado os ventos BTT’isticos desta moda, uma vez que as 650b sempre existiram e são muito apreciadas por exemplo na Suécia, onde muitas das “pasteleiras” e bicicletas para uso diário são equipadas com este standard de roda, também as intrépidas máquinas dos “Randonneurs” , muitas vezes convertidas a partir de bicicletas de estrada de roda 28. Neste caso a vantagem é o maior espaço para albergar os guarda lamas e uma mais ampla disponibilidade de pneus com larguras maiores que os convencionais na roda 28, o que vai de encontro ao pretendido por este tipo de bicicleta. Já gozam de popularidade também nos pequenos construtores, a malta das bikes “handmade” já têm feito muitos quadros para este tamanho de roda, até para as mais alternativas single speed’s.
No BTT a ideia é sem sombra de dúvida um meio-termo, nem carne nem peixe, o que se pretende é ter a vantagem de um maior diâmetro para galgar por cima de tudo e mais alguma coisa, mas sem a penalização de um peso muito maior, uma vez que as 650b naturalmente serão mais pesadas que as 26 na mesma gama, mas a penalização não é tanta como com rodas 29, também se pretende que as rodas não sofram tanta torsão como nas 29, e um dos pontos mais no centro da discussão, o facto de teoricamente, um atleta de média estatura como por exemplo o Schurter com o seu 1,73m se adapte melhor a um quadro “médio” do que a um de roda 29, mas como é claro, neste ponto haverá sempre discordância de atleta para atleta e de marca para marca, pois o que não falta são atletas “pequenos” a correr com roda 29 e a dizerem-se (pelo menos) satisfeitos.
No entanto existe ainda o handicape de não haver tanto material como para os restantes tamanhos, o que é compreensível, se bem que já existe uma boa quantidade de material, mas num mundo em que estamos habituados a todo o tipo de escolha, de marca, de personalização, ainda parece muito pouco. Nos “states” muita gente vai convertendo máquinas de roda 26, desde que a roda passe no quadro, a forqueta resolve-se, pois já existem diversos modelos específicos, noutras é ver se passa, e garanto-vos que já sei que passa em muito boa forqueta, e claro na Lefty cabe sempre, pelo que é muito visto conversões de Cannondale’s.
No entanto é preciso não esquecer que num quadro de roda 26 convertido o centro de gravidade sobe necessariamente, porque a roda é mais alta, logo o eixo está mais alto. Mas para este problema, ou pequeno problema, já existem construtores generalistas como a Jamis que já tem modelos de roda 650b, embora não esteja à venda em Portugal, mas com a internet resolve-se. De momento aliás, não há nenhuma marca a vender 650b de BTT em Portugal, se houver, desde já as nossas desculpas, e estamos claro disponíveis para saber ainda mais e testar pois claro uma máquina destas!
Ao que nos foi possível apurar, diversas marcas de renome, nomeadamente de rodas e forquetas irão disponibilizar já em 2013 diversos modelos para este standard, é esperar para ver, e descobrir se no meio é que está a virtude!

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