José Borges tem trinta anos, é natural de Santa Maria da Feira e sem dúvida que se trata de um dos mais irreverentes atletas portugueses da atualidade.

Entrevista a José BorgesFDotado de uma força incrível, “Zé Manel” – como é conhecido, é detentor de oito títulos de Campeão Nacional (5 de Enduro e 3 de Downhill), bem como o único atleta luso a vencer a Mega Avalanche em França.

Ainda no Enduro e no ano de 2018, foi 11º classificado no EWS – Enduro World Series. Já no que toca a outra das suas modalidades – downhill urbano, Borges já venceu o “Marisquino” em Espanha por cinco vezes. Atualmente é atleta oficial da formação UCI, Miranda Factory Team.

Como entraste no mundo das bikes?

No ano de 2005 fui com o meu pai ver uma corrida de downhill aqui perto de casa. Ambos adoramos a modalidade e no ano seguinte comecei a competir.

Começaste no downhill mas a realidade é que atualmente és uma referência no enduro. Foi opção? Ou viste outras capacidades nesta vertente?

Penso que foi um pouco das duas. Foi por opção pois o enduro “encaixava” perfeito nas minhas características de atleta. Após o ano de transição percebi que esta podia ser uma modalidade em ascensão a nível mundial e cá estou eu.

Apesar do teu invejável palmares, a tua carreira não foram só sucessos. Tiveste muitas lesões ao longo destes anos?

Sim, já passei por bastantes lesões, mas felizmente consegui sempre recuperar da melhor forma. Lembro-me bem que num ano consegui partir os braços três vezes, mas a realidade é que aprendemos sempre com os erros. Atualmente tenho uma condução mais cautelosa e acabo por optar por linhas mais “limpas” e seguras.

Qual o teu spot preferido? Conta-nos tudo.

Gosto bastante de La Thuile em Itália. Adoro as longas descidas, zonas técnicas, físicas e com uma paisagem envolvente de cortar a respiração.  Sem dúvida que a zona de Mont-Blanc é fantástica.

Entrevista a José BorgesQuais as principais qualidades que um atleta de enduro deve ter?

Uma capacidade física acima do habitual, conseguir descer rápido à vista (80% da velocidade na primeira descida e escolher bem trajetórias), bons reflexos e não deixar de parte a técnica. Podes ser muito bom a pedalar, mas se não souberes descer, ficará difícil seres um atleta de elite.

Já estiveste numa equipa internacional com todas as condições, no entanto esta temporada regressaste a Portugal. A que se deve esta mudança?

Às vezes as pessoas podem achar que ao voltar a Portugal regredi. Está errado! Eu continuo a ter excelentes condições (senão melhores) nesta nova estrutura. Estou muito contente de integrar a Miranda Factory Team, pois além de ser uma marca portuguesa que sempre me apoiou, consigo estar mais tempo com a família e amigos.

Como te vês daqui a 20 anos? As bicicletas irão sempre fazer parte da tua vida?

Já não me vejo fora deste mundo. Futuramente tenho projetos pessoais que obviamente irão englobar as bicicletas. Vamos ver como correm os próximos anos, ainda tenho muita competição pela frente e depois logo se verá.

Entrevista a José BorgesSe tivesses mais tempo, que outras modalidades gostarias de praticar?

Todos sabem que eu sou um apaixonado por veículos motorizados, mais especificamente motas. Gostaria de voltar a competir no Campeonato Nacional de Enduro, no entanto tenho consciência que era preciso muito tempo e dedicação. Ainda nas bicicletas, gostava de participar em provas de estrada. Treino habitualmente com vários atletas profissionais, e sinceramente acho que ainda lhes ia dar algum “trabalho” (risos).

José BorgesQueres deixar uma mensagem de incentivo a todos que estão a ler esta entrevista, numa altura particularmente difícil para todos?

Quero apenas incentivar as pessoas a resguardarem-se o mais possível, aproveitando desta forma para confraternizarem mais em família, e acima de tudo aprenderem o verdadeiro significado da palavra solidariedade.