Faltam apenas dois dias para começar a 81ª Volta a Portugal Santander, Viseu, palco da Grande Partida, está preparada para na quarta-feira, 31 julho, à tarde receber o curto mas intenso Prólogo da competição que se desenrola até 11 de agosto.

Volta a Portugal SantanderSerá a terceira vez, depois de 2010 e 2015, que a cidade de Viriato vê o início da Volta.

Conheça as aspirações das equipas nacionais da Volta a Portugal:

As incertezas na W52-FC Porto:

O espanhol Raúl Alarcón, a recuperar de lesão até à partida da 81.ª Volta a Portugal em bicicleta, é uma incógnita para a favorita W52-FC Porto, com o pelotão na expectativa das condições do atual bicampeão da prova.

Apesar das dúvidas em redor da participação de Alarcón, a estrutura da União Ciclista de Sobrado, designada W52-FC Porto desde 2016, venceu sempre a prova desde 2013 e entrou neste ano de estatuto reforçado, com a subida ao escalão Profissional Continental, assumindo-se como única formação lusa no segundo patamar do ciclismo mundial.

Essa responsabilidade recai sobre o ‘sete’ de Nuno Ribeiro, que pré-inscreveu Alarcón ao lado do campeão da 73.ª edição, Ricardo Mestre, mas também António Carvalho e a ‘revelação’ João Rodrigues.

Em 2019, os ‘dragões’ ascenderam a Profissional Continental, o segundo patamar do ciclismo mundial, um estatuto único em Portugal, mas que partilham com quatro equipas estrangeiras na prova, razão para responsabilidade acrescida para chegar ao sétimo título seguido.

81 VoltaNa lista dos ‘azuis e brancos’ está o campeão da 73.ª edição, Ricardo Mestre, mas também António Carvalho e a ‘revelação’ João Rodrigues.

Aos 24 anos, Rodrigues venceu este ano a Volta ao Alentejo e arrancou a temporada com um nono lugar final na Volta ao Algarve, a prova portuguesa mais bem cotada pela União Ciclista Internacional, podendo aproveitar para se afirmar no pelotão nacional e ‘mostrar-se’ ao estrangeiro.

Para os ‘sprints’, o experiente Samuel Caldeira será a aposta de Nuno Ribeiro, numa equipa em que Edgar Pinto assume também um papel de destaque devido aos bons resultados que tem conseguido em 2019.

O Sporting-Tavira também tem uma palavra a dizer:

O Sporting-Tavira vai “lutar pela vitória” na Volta a Portugal em bicicleta, com vários ciclistas em condições de serem candidatos e “quase todo o ano” a preparar a corrida.

“O objetivo é lutar pela vitória na Volta. É o que a equipa leva para a corrida. Em termos de liderança, é evidente que a equipa tem no seu seio ciclistas que podem lutar por essa vitória”, destaca à Lusa o diretor desportivo dos ‘leões’, Vidal Fitas.

Os ‘verdes e brancos’ têm este ano vários nomes de monta na luta pela geral, do campeão em 2013, Alejandro Marque, ao ‘veterano’ italiano Rinaldo Nocentini, o novo campeão português de fundo, José Mendes, e o ‘regressado’ Tiago Machado.

81 VoltaO português de 33 anos está de volta a Portugal após oito anos no escalão WorldTour, e nove anos no estrangeiro, e Fitas explica que este ‘reforço’ foi “um acrescento que pode discutir a Volta”.

Ainda assim, o diretor desportivo dá o exemplo da W52-FC Porto, a grande favorita à vitória, na qual “qualquer um pode discutir a Volta”, pelo que o Sporting terá de proteger os corredores até ao momento em que se comecem a ver diferenças.

“Com o desenrolar da prova, iremos abdicando de alguns em detrimento de outros, ou de um. Só ganha um. Aí, teremos um ciclista que será o líder da equipa”, explica.

Numa equipa em que se pensou “em exclusivo na Volta” em 2019, o trabalho “tem sido bom e os índices do trabalho dos atletas são bastante bons”, o foco está em disputar a vitória final da 81.ª edição, numa percurso que “por mais estradas que mude tem os mesmos pontos chave”.

“É a Serra da Estrela, a Senhora da Graça, uma ou outra montanha, este ano é a Serra do Larouco, e o contrarrelógio. Por vezes, o perfil é acessível, mas os ciclistas fazem o dia mais duro, e vice-versa. Quem torna as etapas duras não é o percurso, é o pelotão”, descreve o diretor desportivo.

Joni Brandão é a aposta da Efapel:

Depois da saída do Sporting-Tavira, Brandão está de volta para chegar ao “objetivo muito claro da Efapel”, a tentativa de vencer a prova, declara à Lusa o diretor desportivo, Rúben Pereira.

Num ano de muitas mudanças, com a entrada de Rúben Pereira, filho do ‘patrão’, Carlos Pereira, para o lugar que era de Américo Silva, a formação quer honrar o “papel crucial enquanto estrutura de referência” da corrida.

A Efapel foi a última equipa a triunfar na Volta a Portugal, em 2012, antes do início do domínio da União Ciclista de Sobrado, atualmente com o nome W52-FC Porto, e terá nos ‘dragões’ de novo os principais rivais, com “uma equipa fortíssima”.

“Chegamos à Volta sem pressão de resultados, porque temos estado muito bem, com uma das melhores épocas desta estrutura. A W52-FC Porto é a favorita, pelo historial e pelo estatuto de Profissional Continental, tem essa responsabilidade”, atira o diretor desportivo.

Joni Brandão, que brilhou no Grande Prémio Jornal de Notícias e venceu uma etapa no Grande Prémio das Beiras, é o “líder claro”, mas a equipa tem ainda Henrique Casimiro, que na última prova antes da Volta, o Troféu Joaquim Agostinho, venceu a geral final.

O ‘veterano’ Sérgio Paulinho, que foi terceiro nessa corrida e foi medalha de prata nos Jogos de Atenas2004, além de anos a correr no WorldTour, é outra das armas.

Por outro lado, Nikolay Mihaylov é campeão búlgaro e tem corrido a bom nível, prevendo Rúben Pereira que venha a ser “muito importante” para o esforço coletivo.

O rosto da estratégia da Efapel vê no traçado deste ano “um dos trajetos mais interessantes dos últimos anos”, felicitando o diretor da prova, Joaquim Gomes, pelo “trabalho incansável” para reunir as etapas deste ano.

Miranda-Mortágua em busca de melhores resultados:

A Miranda-Mortágua procura de melhorar os resultados obtidos no ano de estreia, em 2018, com um ‘reforço’ venezuelano e uma equipa “competitiva na montanha”.

“Esperamos conseguir fazer melhor do que fizemos o ano passado, na estreia. Tivemos a média de idades mais baixa, e isso refletiu-se bastante na prestação da equipa”, explica à Lusa o diretor desportivo, Pedro Silva.

Este ano, a nota é para Leangel Linarez, corredor venezuelano que chega como estagiário e que pode “dar garantias ao lado do Daniel Freitas nas poucas chegadas em que poderá haver ‘sprint’”.

Por outro lado, a equipa, que combina “uma formação mais madura com estreantes” na prova, chega “muito bem preparada”, e Freitas está agora “menos desamparado” pela chegada do ‘sprinter’ mais puro, mesmo que possa “até trabalhar para o venezuelano”.

Numa corrida “duríssima, com muitas chegadas em alto”, esta é uma equipa delineada para a montanha, onde se quer apresentar “competitiva e a tentar fazer muito melhor do que em 2018”.

Rádio Popular Boavista sai em busca dos lugares no topo:

A Rádio Popular Boavista tem como objetivo “competir pelos principais lugares” da geral e honrar “a dimensão e o historial” daquela formação.

“Queremos discutir a corrida na geral individual. Quanto às etapas, também queremos discutir algumas”, explica à Lusa o diretor desportivo, José Santos.

João Benta e Daniel Silva são os nomes mais experientes da formação ‘axadrezada’, que tem “uma equipa muito homogénea”, que se pode mostrar “em todos os tipos de terrenos”, com nota para David Rodrigues, que foi sétimo na geral final do Troféu Joaquim Agostinho, a última prova antes da Volta.

“À quarta etapa, vai ver-se logo quem está cá para discutir a Volta a Portugal. Depois, a Senhora da Graça também será importante, são esses os dois pontos-chave”, reforça o diretor desportivo.

Vito-Feirense com aspirações vencedoras:

A Vito-Feirense aposta no espanhol Jesús del Pino para a classificação geral, com o objetivo de “tentar sempre vencer”.

“Vamos [à Volta] sempre para tentar vencer. A geral não será fácil, mas o espírito é de tentar vencer a Volta a Portugal. Não é fácil, mas o Jesús del Pino dá-me garantias de, se as coisas correrem bem, estar nessa luta”, diz à Lusa o diretor desportivo, Joaquim Andrade.

O líder dos ‘fogaceiros’ explica que “pelo menos lutar pelo pódio” está ao alcance de Pino, que há poucos dias foi segundo classificado na Clássica de Ordizia, em Espanha, e em 2018 foi 22.º da geral final da Volta.

Apesar da aposta no líder, há “outros corredores na equipa que são garantias noutro tipo de etapas”, como os ‘sprinters’ João Matias e o espanhol Óscar Pelegri, razão pela qual estará em funcionamento “uma estratégia aberta” que se vai adaptando de dia para dia.

Olhando para o percurso da 81.ª edição, este é “muito propício aos trepadores”, com “menos dias que o habitual” para os ‘sprinters’, num ano em que, à semelhança de 2018, o calor pode tornar-se “muito importante”.

LA Alumínios com líder assumido:

António Barbio será “um líder assumido” para a LA Alumínios, a querer “subir mais um degrau” na consolidação do projeto.

“Este é um projeto recente, vamos estar na Volta pelo segundo ano. Estivemos a um bom nível [em 2018], e queremos tentar subir mais um degrau”, afirma à Lusa o diretor desportivo, Hernâni Broco.

Segundo o antigo corredor, há o objetivo claro de disputar “uma etapa”, entrar em fugas e lutar “para vestir uma camisola de montanha ou da juventude”, tudo enquanto procuram “um lugar de destaque” para Barbio.

O projeto jovem vai encontrar este ano uma Volta “muito dura, com aproximações difíceis à meta, que todos os dias vão colocar stress na colocação, além do desgaste físico”.

A subida à Torre pelo lado da Covilhã é “dos sítios mais duros” para chegar “a um ponto mítico”, mas também a ascensão à Senhora da Graça no penúltimo dia, antes de um contrarrelógio final, no Porto, que “será um espetáculo se ainda estiver alguma coisa em disputa”.

“A Volta está há tantos anos sem acabar no Porto que será uma boa etapa para quem corre e para quem vê”, garante Hernâni Broco.

Oliveirense-InOutBuild com a Juventude em vista:

A Oliveirense-InOutBuild chega à procura de uma participação digna na prova, que arranca na quarta-feira em Viseu.

“Para uma corrida como esta, de 11 dias, temos quatro estreantes na corrida. Isso diz tudo”, atira à Lusa o diretor desportivo, Manuel Correia, que tem em mãos jovens valores do futuro.

O objetivo passa, então, por “discutir a camisola da juventude”, tarefa em que confia sobretudo em Rafael Lourenço e Pedro Miguel Lopes, mas “ótimo seria ganhar uma etapa, mas é muito complicado”.

“São muitas equipas, mas seria ótimo… Vamos tentar estar em algumas fugas. Este projeto serve para fazer crescer e valorizar corredores”, resume.

Por isso, e por ter em mãos “os ciclistas do amanhã”, a equipa quer ter “uma postura digna, como tem tido ao longo do ano”, depois de arrancar “com muitas dificuldades”, ao ter de arranjar novos patrocinadores em novembro do ano passado.

“Esta Volta é mais dura que a de 2018, sem dúvida. No ano passado, o calor também afetou o pelotão, mas não se prevê que esteja tão quente este ano”, atira o diretor desportivo.

Para estes jovens, esta dureza é “um acrescento de dificuldade”, mas estarão “minimamente bem preparados”, depois de terem gerido a época para chegarem “no máximo”.

Aviludo-Louletano aposta no espanhol Vicente García de Mateos:

O corredor espanhol é o líder único da formação algarvia, e há um foco exclusivo no ataque à geral por parte da equipa comandada pelo diretor desportivo Jorge Piedade.

“Estamos a apostar no García de Mateos, temos o grande objetivo de disputar a Volta a Portugal com esse corredor”, resume à Lusa.

Segundo o dirigente, “só se acontecer algum imprevisto” é que a equipa pensa de outra forma, mas para já quer os ciclistas “unicamente focados em disputar a geral individual”.

Na equipa, Jorge Piedade contará ainda com o ‘veterano’ espanhol David de la Fuente ou o português Luís Fernandes, que em 2018 foi 11.º classificado na geral final da Volta.

O líder, ainda assim, é García de Mateos, que aos 30 anos já acumulou seis vitórias em etapas na prova, em 2015, 2016, 2017 e 2018, fechando o pódio nas últimas duas edições da prova, ganhas pelo compatriota Raúl Alarcón (W52-FC Porto).

Este ano tem acumulado bons resultados, do 10.º lugar final na Volta ao Alentejo ao segundo lugar no Grande Prémio das Beiras e Serra da Estrela, o quinto posto na Volta às Astúrias e o 10.º lugar na Volta à Comunidade de Madrid.