Rute Norte fez ao todo 550 km de bicicleta nas duas ilhas: 205 na ilha do Príncipe e 345 na ilha de São Tomé.

Nesta viagem não andou com um carro de apoio, comprou os voos e a estadia na internet, e foi sozinha, sem agências de viagens.

Instalou-se num ponto fixo, o mais possível no centro das ilhas, e a partir daí saía todos os dias para um ponto diferente. Rute ía fazendo percursos em forma de estrela, todos os dias ia – e regressava.

Sendo o seu estilo de viagens lento, com muitas paragens e conversas pelo caminho, e ainda uns mergulhos de vez em quando, não conseguiu mesmo assim conhecer todos os pontinhos das duas ilhas.

Vinte e nove dias não foram suficientes. Mas a maior parte do país ficou vista – e bem vista, com toda a calma.

Sobre São Tomé e Príncipe não se encontra quase nada na internet – informação turística, entenda-se. Vêem-se sempre as mesmas fotos de praias, crianças sorridentes, edifícios da época colonial e pouco mais.

O turista comum não conhece grande coisa, vai simplesmente aos locais habituais sugeridos pelas agências de viagens, e adicionalmente não tem muito tempo, as viagens são relativamente rápidas, de carro.

Ora São Tomé e Príncipe não é só praias e crianças sorridentes, tem de haver muito mais do que isso.

Foi esse o desafio a que Rute Norte se propôs: pegar na bicicleta, embrenhar-se pelos caminhos de terra e florestas, e ver o que há lá. Onde estão os santomenses? O que andam a fazer? O que são as suas vidas?

“Vou espreitar tudo. E serei convidada a entrar em suas casas. Vou ter longas conversas, pausadas, sem pressas. Leve-leve. Esta expressão “leve-leve” é típica de São Tomé e Príncipe, e significa “suavemente, sem pressas”. Sem esforço desnecessário. Pedalar com calma. Vai leve-leve, dizem-me, acenando-me com um sorriso. Vou sim, vou leve-leve.” – Disse Rute Norte.

O povo santomense é tímido. Já estão habituados a turistas a circularem de jipe, já nem ligam. As caras pálidas passam nos seus jipes, às vezes tiram fotos da janela do carro, e na maioria das vezes só vão às praias bonitas e turísticas.

Rute optou por caminhos alternativos pois estava a seguir trilhos para bicicleta de BTT (“bicicleta de mato”, como dizem os santomenses). Instalou a app “Maps.me” – uma maravilhosa app gratuita; fez download do mapa de São Tomé e Príncipe, et voilà!

Por vezes nem seguia por estradas, seguia por trilhos. Esta aplicação indica quatro tipos de caminhos: carro, pedestre, comboio (quando existe) e trilhos de BTT.

Com arbustos cerrados dum lado e de outro, só cabe uma pessoa, carros não entram, nem sequer motas.

““O caminho é por ali”, disse-me um homem, apontando para a estrada. “Não, o GPS está a indicar-me que é por aqui”, respondi eu. “Sim, este caminho vai lá dar” – elucidou uma mulher. E desapareci no meio do mato. E que belas surpresas tive nesse dia, tanta gente que se encontra a trabalhar no meio do mato.” – Comentou Rute Norte.

Pelo que nestas circunstâncias, quando as pessoas se deparavam com uma mulher sozinha de bicicleta pelos cantos mais recônditos e inesperados a surpresa era significativa.

O facto de todos falarem português é fulcral. Fala-se português em todo o lado, não há dificuldade de abordagem.

“A viagem não teve sobressaltos, correu tudo muito bem, fui sempre bem tratada pelos santomenses, e recomendo a todos os praticantes de BTT.” – Disse a Rute ao BTT Lobo.

Conheça esta e outras viagens da Rute Norte em rutenorte.com.