As quedas devido ao piso molhado e escorregadio envolvendo vários corredores, entre eles o Camisola Amarela, marcaram a chegada, esta quarta-feira, da 81ª Volta a Portugal Santander a Bragança.

6a Etapa 189,2km 7/08, Torre de Moncorvo – Bragança durante a 81ª Volta a Portugal Santander 2019, Foto PODIUM / Paulo Maria

Apesar dos incidentes, Gustavo Veloso e os restantes 22 corredores que caíram não perderam tempo significativo porque foram creditados com o tempo do pelotão.

As quedas aconteceram na zona protegida dos últimos três quilómetros, ou seja, o espanhol da W52-FC Porto, após seis etapas, mantém a liderança da corrida.

A chuva marcou o dia competitivo ganho pelo espanhol Hector Saez (Euskadi-Murias), um dos onze fugitivos que, pouco depois do meio da etapa, conseguiu escapar ao pelotão. Com corredores muito atrasados na classificação, a coluna não se preocupou muito com a fuga.

6a Etapa 189,2km 7/08, Torre de Moncorvo – Bragança durante a 81ª Volta a Portugal Santander 2019, Foto PODIUM / Paulo Maria

Na discussão da vitória vários homens ensaiaram ataques, mas o último e o mais consistente foi o de Hector Saez que, aos 25 anos, ganhou no nordeste transmontano a primeira corrida como profissional. Os restantes chegaram a conta-gotas e o pelotão terminou quatro minutos e meio depois.

Ainda não foi desta que um português ganhou em Bragança. O último triunfo foi de Eduardo Correia com as cores do Sangalhos, em 1981.

A reta da meta bragantina com cerca de 400 metros em ligeira inclinação terá sido a última oportunidade para os velocistas puros desta volta se mostrarem.

6a Etapa 189,2km 7/08, Torre de Moncorvo – Bragança durante a 81ª Volta a Portugal Santander 2019, Foto PODIUM / Paulo Maria

Torre de Moncorvo 88 anos depois

À partida da 6ª etapa, em Torre de Moncorvo, o céu cinzento alinhou-se com o pesar do minuto de silêncio respeitado em homenagem ao jovem corredor belga, Bjorg Lambrecht, que morreu na sequência de uma queda na Volta à Polónia. Antes da partida, a chuva não era forte mas viram-se alguns chapéus e o pelotão introspetivo terá pensado na fragilidade humana que é mover-se em duas rodas.

Depois do Dia de Descanso, a 81ª Volta a Portugal Santander partia rumo a Bragança para mais uma longa etapa com 189,2 quilómetros. Foi o início da derradeira fase competitiva que vai terminar no próximo domingo (11 de agosto) no Porto.

Torre de Moncorvo não assistia a uma partida da Volta desde 1931 quando se correu a 2ª edição da “Portuguesa”. A jornada começou em plano inclinado e com uma luta intensa pelo Prémio de Montanha. Nas três contagens de 3ª categoria, Luís Gomes conseguiu destronar o anterior “Rei dos Trepadores”.

O homem da Rádio Popular-Boavista ganhou duas das três contagens e enverga agora a Camisola Azul Liberty Seguros.

Declarações após a sexta etapa da 81.ª Volta a Portugal em bicicleta:

Héctor Saez (vencedor da etapa): “Foi um dia muito duro. Estive bem, ao entrar na fuga. Sentia-me forte e confiante. Queria ganhar, estávamos há muitas etapas a atirar ao poste, por isso foi ótimo ganhar. É a minha primeira grande vitória. Não consegui ganhar na Volta a Espanha, mas ganhar aqui é como ganhar em casa”.

Gustavo Veloso: “(Sobre a queda) Foi um susto e uma pancada, mas é parte do ciclismo. Foi pena não parar de chover antes, para secar a estrada, mas a rotunda devia ter óleo. Meio pelotão caiu ali, só não foi quem travou antes porque já tinha gente no chão.

O importante é ultrapassar estas coisas. Agora, tenho de pôr gelo na pancada, rotinas que temos de ter, mas é mais uma pancada para as muitas que já levei. Vou ver como acordo amanhã [quinta-feira]. Está pisado, mas há quem esteja pior.

No momento em que se cai, depende de onde se bate, no corpo. Caímos todos da mesma maneira, a maior parte são nas costelas ou na anca. Espero que ninguém se tenha magoado a sério e todos possamos alinhar com tranquilidade”.

Filipe Cardoso (quinto na etapa e melhor português): “Em teoria, era dos ciclistas mais rápidos do grupo. Senti que esperavam que eu arrancasse e tive de jogar com o facto de o Sporting ter dois ciclistas. Em 200 quilómetros, tudo se paga. Tentámos, estivemos na frente, podíamos ter ganho”.

Micael Isidoro (oitavo na etapa): “Pensei em atacar, até antes do Filipe Cardoso. Os ‘ses’ não contam, mas podia ter tirado algum benefício. Estivemos na discussão da corrida, fizemos o que tínhamos de fazer, foi positivo. É um resultado importante. Queríamos discutir algumas vitórias em etapa, estamos a tentar. A vitória não sorriu, mas vamos continuar a tentar”.

Rafael Lourenço (11.º na etapa): “Estou muito triste (pela queda no final). A rotunda estava muito escorregadia, ia discutir a vitória e foi tudo por água abaixo. A equipa tinha uma oportunidade única de discutir uma vitória.

O objetivo da equipa era o Venceslau Fernandes e o Osorio estarem na luta pela geral e eu na juventude. Depois, quando já não era possível para mim, foi tentar entrar em fugas e discutir alguma vitória”.

Luís Gomes (líder da classificação da montanha): “É importante vestir uma camisola na Volta a Portugal. É muito especial subir ao pódio. (Sobre a manutenção da camisola) Hoje foi um dia desgastante, vamos ver. A chuva complicou”.

Jóni Brandão (quarto à geral): “Naquele momento da queda, bateram-me na bicicleta e ela não andava. Inevitavelmente, fiquei para trás. Nesta etapa tivemos uma partida complicada, logo com muitos ataques.

Estou na discussão da corrida, a 25 segundos, nada está perdido e vou continuar a acreditar. Nem sempre o corpo corresponde como queremos, mas espero sentir-me bem nestes dias para, pelo menos, encurtar a distância para o primeiro lugar.

Deuses do Larouco já aguardam a Volta a Portugal

Photo © João Fonseca Photographer

As previsões indicam que a corrida também será molhada e ventosa, esta quinta-feira, na 7ª etapa. A viagem pelo mapa da 81ª Volta a Portugal Santander continua no Nordeste, rumo às Terras do Barroso.

Photo © João Fonseca Photographer

A partida acontece em Bragança e segue com destino a Montalegre e à Serra do Larouco, a segunda mais alta de Portugal Continental, que coincide com uma contagem de montanha de 1ª categoria. Antes de apreciar a vista, o pelotão tem de pedalar 156,2 quilómetros.

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